Jequié

Jequié

Jequié foi um dos maiores destinos dos italianos na Bahia

O então Governador da Bahia, Lomanto Júnior, inaugurando a "Rua Jequié", em Trecchina, na década de 1960 (Lomanto é o segundo da direita para a esquerda)

O então Governador da Bahia, Lomanto Júnior, inaugurando a “Rua Jequié”, em Trecchina, na década de 1960 (Lomanto é o segundo da direita para a esquerda)

Jequié é a cidade baiana, depois de Itiruçu, que mais recebeu imigrantes italianos no estado da Bahia. Eles vieram principalmente de Trecchina (pronuncia-se “Tréquina”), na região da Basilicata. O pioneiro foi José Rotondano (nome de origem: Giuseppe), que viu em Jequié um grande potencial econômico, na época arraial de passagem para tropeiros. Rotondano mandou buscar na Itália Ângelo Grisi e Carlos Marotta, a fim de ajudá-lo na administração e crescimento do patrimônio. Não satisfeito, incentivou a vinda de outros patrícios para Jequié, onde ia indicando os pontos das zonas urbana e rural em que deveriam se estabelecer, conforme os pendores de cada um. Inocêncio Orrico e Ângelo Andrea, por exemplo, não hesitaram em transferir de Ubaíra para Jequié a razão comercial Inocêncio Orrico & Andrea. Alguns deles, como os Lomanto, Bartilotti e Scaldaferri vieram de Amargosa. Ali, nos tempos de prosperidade, nasceu a empresa Tude, Irmão e Cia., com filiais em uma dezena de cidades, inclusive Salvador e Jequié, com mais de cem empregados e uma representação em Paris. De Jaguaquara outros trequinenses se transferiram para Jequié. Com o tempo vieram mais conterrâneos seus, que foram de significativa importância para o crescimento da cidade. Tanto que na década de 1930 o italiano Vicente Grillo era um dos homens mais ricos da Bahia e Jequié era a quarta cidade do estado em economia. Entre as mais de 150 famílias italianas que se estabeleceram em Jequié, destacam-se: Aprile, Biondi, Caricchio, Colavolpe, Ferraro, Grillo, Grisi, Labanca, Leto, Liguori, Lomanto, Magnavita, Marotta, Orrico, Pesce, Rotondano, Sarno, Scaldaferri, Schettini etc. Até 1892 (dez anos após a chegada de Rotondano) já existiam em Jequié nada menos de 150 italianos, aos quais vieram se juntar às novas famílias egressas de outros centros urbanos.


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Futebol de Jequié em 1918

Atlético Clube de Jequié em 7 de setembro de 1918

Atlético Clube de Jequié em 7 de setembro de 1918

A prática do futebol registrava-se em Jequié ao menos um pouco antes de inaugurar a década de 1920. Nessa época, nos períodos de seca, trechos do rio das Contas transformavam-se em espaços improvisados para as primeiras partidas de futebol da região. Os mais famosos e prestigiados eram os jogos do “Mandão” e os do “Gereré”. Em 1918 já existia o “Atlético Clube de Jequié”, que jogava num antigo campo de futebol onde hoje é a Rodoviária e o clube da ACJ no Joaquim Romão.


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Antônio Astolpho dos Santos

Antônio Astolfo no consultório da Silva Jardim em Jequié. Décadas de 40 e 50

Antônio Astolpho no consultório da Silva Jardim em Jequié na década de 40

O médico Antônio Astolpho dos Santos nasceu no dia 9 de abril de 1910 em Salvador. Estudou o curso primário no colégio da professora Isaura Guedes; iniciou o secundário no Colégio Ipiranga e o terminou no Colégio Carneiro Ribeiro, por ser, na época, um dos mais conceituados. Porém, aos 14 anos de idade ficou órfão de pai e teve de fazer concurso público para o Telégrafo Nacional, já que era arrimo de família, sendo aprovado em 8º lugar entre 200 candidatos.

Antônio Astolfo, aos 20 anos de idade, quando trabalhava nos Correios

Antônio Astolpho, aos 20 anos de idade, quando trabalhava nos Correios

Conhecera Dona Zenóbia, filha de José Rebouças (Juca), em Santa Inês (BA), ocasião em que fora trabalhar no telégrafo daquela cidade. Casou-se com ela em 26 de dezembro de 1934. Já casado e com três filhos, formou-se em Medicina no dia 29 de dezembro de 1942.

Antônio Astolfo quando era tenente-médico do Exército (CPOR) 30.06.1945

Antônio Astolpho quando era tenente-médico do Exército (CPOR) 30.06.1945

Fez o CPOR (Centro de Preparação de Oficiais de Reserva) como aspirante a oficial-médico de onde saiu como 1º Tenente-Médico de 2ª Linha do Exército Brasileiro em 1943. Em seguida, montou consultório na Rua Silva Jardim, em Jequié, no final de 1943.

Casamento de Antônio Astolpho e Zenóbia em 1934, na casa de Juca e Adelina, em Jequié

Casamento de Antônio Astolpho e Zenóbia em 1934, na casa de Juca e Adelina, em Jequié

Enquanto sua casa era construída na Rua Nestor Ribeiro, fixou residência na Rua Trecchina, na Praça Castro Alves. Como médico chegou a atender artistas de circo e de teatro que se apresentaram em Jequié naquela época, a exemplo de Procópio Ferreira.

Antônio Astolfo dos Santos e família - 1952

Antônio Astolpho dos Santos e família – 1952

Astolpho construiu e fundou em Jequié a Associação Regional de Medicina, na esquina das Ruas 15 de Novembro e Apolinário Peleteiro, chegando, inclusive, a organizar o 1º Congresso Regional de Medicina em Jequié.

1º Congresso de Medicina em Jequié em 1958, organizado pelo médico Antônio Astolfo, na época presidente da Associação Regional de Medicina de Jequié

1º Congresso de Medicina em Jequié em 1958, organizado pelo médico Antônio Astolpho, na época presidente da Associação Regional de Medicina de Jequié

Trabalhou também no FUNRURAL e na Maternidade Perpétuo Socorro, a convite do médico Mariotti. Em 1971 montou outro consultório num edifício na 2 de Julho.

Inauguração do consultório no edifício na 2 de Julho em 1971

Inauguração do consultório no edifício na 2 de Julho em 1971

Antônio Astolpho faleceu no dia 25 de novembro de 1980.