Vitória da Conquista

Isaías Vianna de Andrade

Ao deixar para trás a infância e os dias na Fazenda de São Bernardo, Isaías Vianna foi residir nesta casa na Praça da República (atual Tancredo Neves)

Ao deixar para trás a infância e os dias na Fazenda de São Bernardo, Isaías Vianna foi residir nesta casa na Praça da República (atual Tancredo Neves)

Isaías Vianna de Andrade nasceu no dia 9 de junho de 1921, na Rua 7 de Setembro, filho do comerciante e fazendeiro Joaquim Viana de Castro e de Dona Glicéria Henrique de Andrade.

Isaías Vianna de Andrade, quando ainda fazia o curso de datilografia em 1939

Isaías Vianna de Andrade, quando ainda fazia o curso de datilografia em 1939

Graduou-se em Odontologia pela Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia. Foi Secretário Municipal de Saúde de Vitória da Conquista e professor de Biologia da Escola Normal de 1960 a 1972.

Ana Alicemar Siqueira de Andrade, esposa de Isaías Vianna de Andrade

Ana Alicemar Siqueira de Andrade, esposa de Isaías Vianna de Andrade

Fundou e dirigiu o jornal Sinaxe em 1961. Em 1975 pós-graduou em Madrid no Centro de Odontologia com o professor Cervera.

Isaias, esposa e e seus cinco filhos

Isaías, esposa e seus cinco filhos

Casou-se com a professora Ana Alicemar Siqueira de Andrade, do qual tiveram cinco filhos: o médico Isaías Viana de Andrade Júnior, o engenheiro mecânico Ismar Paulo, o professor de karatê Isaac Newton, a médica Ana Mayra  e Ana Karine.


Vitória da Conquista

J. Murilo, o pintor naïf do Grande Sertão

“Sou um bicho do mato”, autodefinia-se J. Murilo

“Sou um bicho do mato”, autodefinia-se J. Murilo

O moderno que busca o rudimentar ou, como o próprio costumava se definir, o primitivo. Assim é a obra do artista plástico J. Murilo, o José Murillo Baptista de Oliveira, nascido em 1º de novembro de 1937 e, Cordisburgo, Minas Gerais. O Murilo veio, segundo ele, de uma homenagem a um pintor espanhol que seu pai admirava. “Meu pai me colocou o nome de Murilo por causa de um pintor espanhol que ele gostava muito”, dizia.

Com a simplicidade expressa em cada tela e o caráter bastante intuitivo da arte primitiva (ou arte naif, termo que surge para identificar a obra de Henri Rousseau), o legado artístico de desse artista meio mineiro, meio baiano encanta justamente pela espontaneidade em fazer arte longe das academias.

Tal como suas telas, J. Murilo percorreu o caminho contrário ao convencional em sua carreira: primeiro, dedicou-se à função de Fiscal Orientador (técnico que orienta os projetos financiados pelo Agente Financeiro, na área rural) no Banco do Nordeste (inclusive, foi um dos pioneiros na inauguração da agência de Vitória da Conquista em 16 de agosto de 1971) e, somente após sofrer um grave acidente que o afastou do trabalho aos 46 anos de idade, percebeu a possibilidade de se tornar artista plástico. A pintura foi apenas o refúgio por conta das intensas dores lombares que sentia e passatempo para o artista mineiro que produzia sem nenhuma pretensão. Mudou-se para Poços de Caldas, em Minas Gerais, buscando contato direto com o momento de efervescência cultural que a cidade oferecia. Lá, conviveu com pintores e artistas plásticos, aprimorando, dessa forma, suas técnicas e habilidades. Com a convivência com outros artistas, como o impressionista João Batista Francisco e o pintor mineiro Pedro Santos, desenvolveu o estilo que viria a expressar sua obra durante 30 anos.

Procissão de Nossa Senhora da Vitória - Fase Naïf, com a delicadeza do traço em movimento quase coreográfico

Procissão de Nossa Senhora da Vitória – Fase Naïf, com a delicadeza do traço em movimento quase coreográfico

Uma de suas obras compõe o acervo permanente do Memorial Régis Pacheco. Trata-se do quadro “Imperial Vila da Vitória”, produzido em 2008, em que o artista reproduz a cena de uma típica feira livre na antiga Rua Grande, existente nos primórdios do município de Vitória da Conquista. Na pintura da “Imperial Vila”, J. Murilo retrata um imaginário sobre o cotidiano dos tempos antigos de Vitória da Conquista, onde moradores locais, feirantes, tropeiros e vaqueiros transitavam em torno da Rua Grande, atual Praça Tancredo Neves.

Segundo J. Murilo, a “Vila” surge de uma encomenda feita pela prefeitura que na ocasião da restauração da Casa Régis Pacheco convidou alguns artistas plásticos e pintores locais para criação de uma exposição permanente a se constituir como patrimônio artístico do memorial.

Dono de traços primitivistas, J. Murilo, radicado em Vitória da Conquista há 40 anos, nunca frequentou a academia das artes. Pintava “na base da emoção, sem copiar tela de ninguém”, como costumava expressar sua arte. No entanto, duas fortes inspirações podem ser vistas em seus quadros. A primeira é a arte naïf como os franceses falam sobre o primitivo, estilo que se caracteriza pela simplicidade, pela inexistência de perspectiva, a “desregulação” da composição e, principalmente, pela liberdade que o autor tem para relacionar ou desagregar, a seu bel-prazer, determinados elementos considerados formais. A segunda inspiração é a sua terra natal, Cordisburgo, município encravado no centro de Minas Gerais, que serviu como referência para as suas paisagens interioranas.

Cordisburgo também é a cidade onde nasceu o escritor Guimarães Rosa, e foi nas obras do seu conterrâneo que J. Murilo buscou influência e inspiração para compor a maioria de suas telas. Esse encontro com Guimarães Rosa rendeu-lhe, em 2001, as quatro premiações do I Congresso Internacional Guimarães Rosa, onde artistas de diversos países também expunham suas obras. A partir daí, consagrou-se como artista e teve seus trabalhos expostos e reconhecidos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador.

J. Murilo faleceu em 18 de abril de 2013, aos 76 anos de idade. O seu legado continuará representando o imaginário popular. Seu trabalho sobre Canudos é monumental e suntuoso, menos pelas dimensões murais e religiosas do que pela magnífica interpretação que nos transmite como se fosse um euclidiano nascido nas veredas grandes de um sertão cosmológico. J. Murilo se parece com um personagem não lembrado, mas jamais esquecido, destes que de olhos abertos e bem abertos, vislumbram mais de duas margens em qualquer rio. J. Murilo não é nômade de caminhadas curtas. J. Murilo é nômade de navegações intermináveis.

Pelas formas e cores em seus trabalhos a gente se aproxima de entender porque Guimarães Rosa não atinava com os sem fins do sertão. J. Murilo sabe bem disso. O sertão para este sonhador de Cordisburgo é do tamanho do mundo. O primitivismo então se descaracteriza porque esta escola jamais ultrapassa as dimensões de um subjetivismo ingênuo. A procura da paz entre os homens não lhe é latente, é  adjacente. Conversem com ele e descobrirão a profundidade dos trabalhos realizados até agora.

De Cordisburgo a Vitória da conquista, de Piracicaba a Poços de Caldas, o trabalho de J. Murilo ficou em exposição dezenas de vezes entre São Paulo, Minas Gerais e Bahia. muitos prêmios conferidos não lhe alteraram o espírito pacífico do artista que sabe que os sertões não tem fim nas estradas ou nas cidades.


Vitória da Conquista

Péricles Gusmão

Péricles Gusmão Régis, único conquistense morto em Conquista no Golpe de 64

Péricles Gusmão Régis, único conquistense morto em Conquista no Golpe de 64

Péricles Gusmão Régis, filho de Adalberto Régis Keller, tornou-se popular e líder do Movimento Trabalhista Renovador (MTR), partido de Fernando Ferrari, por cuja legenda elegeu-se vereador em 7 de outubro de 1962, assumindo o cargo em 7 de abril de 1963.

Acusado de comunista por adversários rancorosos, depois do Golpe de 64 foi detido pelo Capitão Antônio Bendochi Alves Filho, que desembarcou em Conquista no dia 5 de maio de 1964 para prender todos aqueles que tinham sido delatados como supostos “comunistas” e simpatizantes do Socialismo.

Na tarde de 12 de maio de 1964 Péricles foi encontrado morto no quarto sanitário do Quartel da Polícia Militar no que seria, mais tarde, o 9º Batalhão da PM, onde se encontrava preso. O médico legista, Hugo de Castro Lima, disse que havia em seu corpo cortes de lâminas de barbear, na carótida e nos pulsos, concluindo o médico que foi suicídio a causa da morte, o que é contestado por familiares.

Nesta época Péricles era agente da Empresa de Transportes “Ristar”.


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