Vitória da Conquista

Itamar Aguiar: uma vida dedicada à Universidade e à Comunidade Conquistense

Itamar Aguiar e Murilo Mármore (secretário e prefeito, respectivamente) no Assentamento Amaralina

Itamar Aguiar e Murilo Mármore (então secretário e prefeito, respectivamente, em 1991) no Assentamento Amaralina. O repórter é João Melo, na ocasião na Rádio Clube de Conquista

Itamar Pereira Aguiar, nascido no dia 25 de julho de 1950 em Iraquara (BA), cidade localizada na Chapada Diamantina Meridional, microrregião de Irecê (BA), foi o primeiro professor formado em Filosofia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. O ingresso na Faculdade de Formação de Professores de Vitória da Conquista se deu em 16 de março de 1983, após seleção pública, examinada por uma Banca composta pelo professor José Raimundo Fontes e as professoras Elzir Costa Vilas Boas Chagas e Albertina Lima Vasconcelos.

No mês de dezembro de 1984, foi eleito para compor a Direção da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (ADUSB), ocupando o cargo de Secretário Geral até dezembro de 1988, juntamente com Walter Pires Pereira – Presidente, Carlos Alberto Freitas – Vice-Presidente e Waldenor Alves Pereira Filho – Tesoureiro.

Nessa época, a atual Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia chamava-se “Faculdade de Formação de Professores de Vitória da Conquista”, composta dos cursos de Estudos Sociais, Letras, Agronomia, Matemática, Física e Administração. Já possuía campus na cidade de Itapetinga onde funcionava o curso de Zootecnia e em Jequié uma Faculdade de Formação de Professores com alguns cursos.

Os professores, na sua maioria, possuíam apenas a graduação. Eram poucos, mas responsáveis, empenhados e comprometidos com a luta em defesa da escola pública, gratuita e de boa qualidade, dispostos a constituir uma universidade autônoma, democrática, livre das amarras da politicagem eleitoreira, partidária e clientelista. O vínculo de amizade entre os docentes era grande e normalmente participavam de festas nas casas uns dos outros. Os professores, estudantes e funcionários se davam muito bem e participavam de muitas atividades sociais desenvolvidas em comum.

Os embates com o Governo do Estado da Bahia para constituição da Universidade foram intensos e as greves constantes, muitas vezes mais de uma por ano e nas pautas das assembleias raramente apareciam o item aumento ou reajuste salarial. Assim, fizeram uma das primeiras eleições para reitor das universidades públicas brasileiras, nos anos 1980, logo após a abertura política. Elaboraram, com a participação dos diversos segmentos (funcionários, professores e alunos) e as demais universidades estaduais, os Estatutos das Universidades Estaduais da Bahia, assim que a Faculdade de Formação de Professores foi extinta e transformada na atual Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia no ano de 1987. Itamar, portanto, tem um histórico de lutas em prol dos alunos, funcionários e professores da UESB.

Concomitantemente ao cargo de dirigente sindical, exerceu também, no período de dezembro de 1984 até dezembro de 1986 o cargo de Secretário do Departamento de Ciências Sociais e, em dezembro de 1986, foi eleito para dirigir o mesmo Departamento, ocupando o cargo de Chefe de Departamento até o mês de dezembro de 1987. Nessa ocasião a plenária do Departamento decidiu extinguir o Curso e o Departamento de Estudos Sociais, criando, para substituí-lo, os cursos de História e Geografia, e o novo departamento passou a ser denominado Departamento de Filosofia e Ciências Humanas, do qual também, exerceu o cargo de Diretor, após eleito pelos colegas, de julho de 1992 até abril de 1994.

Mais de 150 mil pessoas passaram pela Avenida Bartolomeu de Gusmão, nos quatro dias da Micareta de Conquista em 1992

Mais de 150 mil pessoas passaram pela Avenida Bartolomeu de Gusmão, nos quatro dias da Micareta de Conquista em 1992. O secretário municipal responsável pelo sucesso deste evento foi Itamar Aguiar

No ano de 1990 foi indicado, pelos diversos segmentos do movimento popular da cidade, para ocupar o cargo de Secretário Municipal do Desenvolvimento Social, e nomeado pelo então prefeito Murilo Mármore em fevereiro do mesmo ano. A partir daí permaneceu no cargo até a exoneração, a pedido, em 7 de julho de 1992. Nesta ocasião, estava sob a responsabilidade da Secretaria organizar, dentre outras atividades, a Micareta da Cidade, o maior evento popular de Conquista nos anos 90. A festa teve, neste ano de 92, catorze blocos (Massicas, Toa-Toa, Esecutivos, Fascinação, Xamego, Beijo, Bebê, Epabrincar, Ticronays, entre outros) e treze trios elétricos (entre eles Tiet Vips, Eva, Espacial de Dodô e Osmar, Tapajós, Pierre, Cofarma e Realce), a presença dos cantores Ricardo Chaves (no bloco Esecutivos – com “s” mesmo) e Luiz Caldas, das bandas Asa de Águia (no bloco Toa-Toa) e Mel e das cantoras Daniela Mercury (no bloco Massicas), Margareth Menezes e Marcia Freire (da banda Cheiro de Amor), além das bandas da cidade: Mixta, Soft, Geração, Nagib & Banda etc. Na época ainda tinham os desfiles de afoxés e escolas de samba, além da tradicional lavagem do beco. Foi a Micareta que levou o nome de Vitória da Conquista para o JN (Jornal Nacional) e depois para o Domingão do Faustão e Jornal da Globo, todos da grade de programação da Rede Globo de Televisão.

Polícia acompanha as fases de desapropriação da Fazenda Santa Marta e instalação do Assentamento Amaralina na década de 1980

Polícia acompanha as fases de desapropriação da Fazenda Santa Marta e instalação do Assentamento Amaralina na década de 1980

Foi também, como secretário, que o antigo “Assentamento Amaralina” e atual “Bairro Santa Marta” recebeu infraestrutura. Em 1985, o “Assentamento Amaralina” começou sua história.  Ela se deu através da ocupação da Fazenda Santa Marta do Nordeste S.A organizada por seis grupos com diferentes finalidades e orientações políticas. Passado um longo embate em torno da propriedade legal da terra, apenas a 3 de dezembro de 1987 a fazenda foi desapropriada e então transformada em projeto de assentamento. Faziam-se presentes os seguintes grupos: Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vitória da Conquista; Comissão Pastoral da Terra ― CPT; PT; PC do B; PMDB; Prefeitura Municipal, então governada por José Fernandes Pedral Sampaio, e também o grupo dos sem-grupo, isto é, pessoas que estavam inicialmente desvinculadas desses outros grupos. Porém as famílias tinham a terra, mas não tinham auxílio, e esses grupos nada faziam por elas.

A área total do assentamento corresponde a 2700 hectares, e tem em média 130 famílias cadastradas pelo INCRA, porém hoje em dia vivem mais de 3.200 pessoas naquela área. Está localizado próximo ao perímetro urbano de Vitória da Conquista, podendo ter acesso até mesmo pela via que conduz a UESB. O sistema de moradia é do tipo casa no lote. Os lotes neste assentamento estão distribuídos por grupos, nas seguintes localidades dentro da área do assentamento: Landim (10 assentados), Baixa da Fartura (22 assentados), Boa Esperança (22 assentados), Goiabeira (quatro assentados), São João (25 assentados), Canaã (12 assentados) e Santa Marta (14 assentados).

Devido ao abandono por parte das organizações e sindicatos ali vigentes, foram 20 anos vividos naquele local até mesmo sem energia elétrica. Porém, após quatro anos de assentados (1991), época em que Itamar era secretário municipal, houve vários progressos para o local, como: ginásio de esportes, posto de saúde, escolas, entre outros. Hoje em dia cada grupo em que é dividido o assentamento recebeu uma escola de nível fundamental básico. No centro da propriedade está a escola “Baixa da Fartura”, criada em 1995.

Ainda na atividade acadêmica, de 1997 até 1999 cursou o Mestrado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP. A obtenção do título de Mestre em Ciências Sociais com concentração na Antropologia se deu em 17 de setembro de 1999. O Doutorado, por sua vez, também em Ciências Sociais com concentração na Antropologia, foi realizado na mesma PUC/SP, no período de 2003 até 2007 e teve a tese defendida no dia 17 de outubro de 2007. Por fim, como docente, Itamar participou de dezenas de atividades de pesquisa e extensão da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Itamar é, portanto, um dos maiores currículos no campus da UESB e fora dela, ou seja, na comunidade conquistense de um modo geral.


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G-11 em Vitória da Conquista?

Pedral recepciona Jango e Lomanto Jr. na inauguração do asfalto da Rio-Bahia em 1963

Pedral recepciona Jango e Lomanto Jr. na inauguração do asfalto da Rio-Bahia em 1963

Antes da fundação da “Frente de Libertação Nacional” em Vitória da Conquista, a Câmara Municipal aprovou, em 18 de maio de 1961, o projeto de Resolução nº 47/61, concedendo o título de “Cidadão Conquistense” ao Senhor Leonel de Moura Brizola, pelos relevantes serviços prestados à democracia brasileira, cujo ato causou bastante ira aos adversários udenistas (ligado à União Democrática Nacional) da cidade. A Mesa da Câmara, nesse tempo, era dirigida pelos Vereadores Ismênio Antunes Silveira, como Presidente, Everardo Públio de Castro e Anfilófio Pedral Sampaio, como 1º e 2º Secretários, respectivamente.

Outro acontecimento que deixou os udenistas intrigados foi o fato  do então prefeito José Pedral Sampaio ter recebido desse mesmo Brizola um telegrama em 24 de maio de 1963, cujo conteúdo nunca foi divulgado pela imprensa. Esse telegrama de Brizola para Pedral foi arrolado como prova da ligação entre o ex-prefeito de Vitória da Conquista (eleito em 1962) e o então deputado federal, no Inquérito Policial Miliar dirigido pelo capitão Bendochi quando da prisão do ex-prefeito em maio de 1964. Foi destacado ainda neste IPM o depoimento do então Juiz do Trabalho, Franklin Ferraz Neto, quando também foi preso em Vitória da Conquista na época do Golpe Civil-Militar de 64.

Foi noticiado no jornal “O Sertanejo”, edição de 11 de julho de 1964, uma organização do “Grupo dos 11” na cidade, na tentativa de explicar aquele telegrama de maio de 63. Esta foi uma das acusações contra Pedral no maio negro de 64, numa definição ideológica de Pedral próxima ao ideário brizolista.

Entre os presentes na inauguração do asfalto da Rio-Bahia em 63 estavam: Jango (João Goulart), Lomanto Júnior, Miguel Arraes e Magalhães Pinto

Entre os presentes na inauguração do asfalto da Rio-Bahia em 63 estavam: Jango (João Goulart), Lomanto Júnior, Miguel Arraes e Magalhães Pinto

E o que seria este tal “Grupo dos Onze”, simplificadamente G-11? Consistia na organização de “Grupos de Onze Companheiros” (como em um time de futebol, imagem de fácil assimilação e apelo popular) capitaneados pelo então deputado federal Leonel Brizola, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e cunhado do presidente da República João Goulart, em fins de 1963, como unidades de um Partido Revolucionário. Era um grupo de esquerda, nacionalista, que apoiava abertamente as políticas de base de Jango, dentro do contexto de radicalização política do período histórico. Brizola pregava a organização de pequenas células – cada uma composta de onze cidadãos, em todo o território nacional – que poderiam ser mobilizadas sob seu comando. Para ele, os diversos G-11 esparramados pelo Brasil constituir-se-iam nos núcleos de seu futuro exército, o “Exército Popular de Libertação” (EPL).

Corria, na época, uma conversa à boca pequena de que existia um clima de golpe no ar. Mal começou o ano de 1964 e estas evidências tornaram-se mais fortes. Falava-se da abertura de uma temporada de caça. Quem seria o caçador ou a caça, ninguém sabia ao certo. O anúncio vinha tanto da direita quanto da esquerda, de dentro e de fora do governo.

Para entender o que foi, de fato, aquela suposta “guerrilha paramilitar”, é preciso entender o papel que Brizola desempenhava naquele momento. Desde 1961, quando era Governador do Rio Grande do Sul, ele se tornara uma das principais figuras políticas do país. Diante da renúncia do presidente Jânio Quadros, Brizola coordenou um grande movimento popular para garantir a posse do vice João Goulart. Batizada de Campanha da Legalidade, a iniciativa foi bem-sucedida e fez de Brizola um herói em seu estado, levando seu discurso a repercutir nacionalmente. No ano seguinte, elegeu-se deputado federal pela Guanabara e passou a exercer constante pressão sobre o presidente. Ele queria acelerar o ritmo das transformações políticas na sociedade, especialmente pela realização das chamadas Reformas de Base, um conjunto de mudanças estruturais – educacional, política, fiscal e agrária.

Com esse objetivo, Brizola comandou a formação da Frente de Mobilização Popular (FMP), um conjunto de várias organizações, grupos e setores de partidos políticos que lutavam pelas Reformas de Base. A Frente adquiriu a Rádio Mayrink Veiga, na Guanabara (atual estado do Rio de Janeiro), o que permitiu ao político fazer seus inflamados pronunciamentos e defender sua causa todas as noites através dos microfones de uma cadeia de estações de rádio liderada pela Mairink, que detinha, na época, o maior percentual de ouvintes das classes média e baixa. Nesses pronunciamentos, conclamou o povo a organizar-se em grupos que, unidos, iriam formar o EPL.

Devido às dificuldades de implantação das reformas, e pressentindo o avanço de um golpe de direita, em fins de 1963 Brizola iniciou uma nova empreitada: a convocação dos G-11. Ele entendia que, como no episódio da Legalidade, o Congresso só votaria as novas leis sob forte pressão da classe trabalhadora organizada. Pela rádio, conclamou os cidadãos a se reunirem em grupos de onze.

A impressão era de que havia homens organizados em todo o Brasil, prontos para a luta armada. Mas era só impressão. Não havia tanta gente assim como imaginava Brizola, pois as pessoas formavam os grupos de modo espontâneo. Muitos, para atender rapidamente aos apelos, botavam nomes de pessoas de sua família, incluindo idosos e crianças de poucos meses de idade. Muitos assinavam movidos por amizade ou atendendo ao pedido de alguém da família. Eram homens crédulos, que acreditavam estar contribuindo para a realização das Reformas de Base e defendendo a bandeira brasileira – corria também o boato de que ganhariam terras, tratores e insumos agrícolas em troca da adesão.

Os G-11 seriam a “vanguarda avançada do Movimento Revolucionário”, a exemplo da “Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na União Soviética”. Os integrantes dos G-11 deveriam considerar-se em “Revolução Permanente e Ostensiva” e seus ensinamentos deveriam ser colhidos nas “Revoluções Populares”, nas “Frentes de Libertação Nacional” e no “folheto cubano” sobre a técnica de guerrilha. No início de 1964, Brizola lançou seu próprio semanário, “O Panfleto”, que veio se integrar à campanha agitativa já desenvolvida pela cadeia da Rádio Mairink Veiga.

Militares e setores conservadores da sociedade não sabiam que os famosos Grupos de Onze alardeados por Brizola eram um castelo de areia. Pelo contrário: acreditavam que a guerra revolucionária estava pronta para eclodir no Brasil. Com o Golpe Civil-Militar de 1964 e a deposição do presidente João Goulart, as listas foram confiscadas e todos os integrantes dos Grupos de Onze enquadrados na Lei de Segurança Nacional.


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Frente de Libertação Nacional surgiu em Conquista em 1961

Alguns destes senhores participaram da FLN, entre estes Pedral Sampaio (sentado, o 3º da direita para a esquerda)

Alguns destes senhores participaram da FLN, entre estes Pedral Sampaio (sentado, o 3º da direita para a esquerda)

Em Vitória da Conquista foi criada, em 7 de novembro de 1961, uma secção da Frente de Libertação Nacional, reunindo forças progressistas em defesa da soberania nacional. Assim, a composição da Frente em Vitória da Conquista era ampla, indo de ricos fazendeiros a trabalhadores da construção civil.

No dia 19 de novembro de 1961, às 20h00m, houve a posse da diretoria da Frente no salão nobre da Câmara de Vereadores, na presença de grande número de pessoas representantes de diversas categorias sociais.

A Comissão Executiva ficou assim organizada: Claudelino Alves de Araújo (presidente); Franklin Ferraz Neto (vice-presidente e secretário jurídico); Alberto Farias (secretário geral); José Fernandes Pedral Sampaio (secretário político); Renato Carvalho de Almeida (secretário de finanças); Miguel Arleo (secretário de organização); Pedro Bittencourt Ferraz (secretário jurídico); Onildo Pereira de Oliveira, Aloísio Carlos Lopes Chagas, Anfilófio Pedral Sampaio e Nilton Gonçalves (coordenadores), além de Hugo de Castro Lima, Camillo de Jesus Lima e Everardo Públio de Castro (oradores). A comissão contou ainda com a participação de Lúcio Lima, Djalma Alves Rocha, Osmani Prates, Aroldo Ramos, Orlando Oliveira, Péricles Gusmão Régis, Flávio Viana, Deusdedith Ferraz, Aníbal Lopes Viana, Reginaldo C. Santos e Jesus Gomes dos Santos.

O cineasta Aécio Florentino de Andrade, filho de Florentino Mendes de Andrade, ex-prefeito de Vitória da Conquista e então Delegado Regional de Polícia e Ordem Política e Social, estava, nesta época em sua terra natal e, como pessoa de destaque da secção da Frente no Estado da Guanabara (atual Rio de Janeiro), realizou a exibição de seu filme “Juventude Sem Amanhã”, em benefício da Frente, antecedida de uma palestra em praça pública, a respeito do fundo social do filme e a importância da Frente de Libertação Nacional.

Os políticos situacionistas componentes da União Democrática Nacional (UDN) espalhavam a notícia, com panfletagem, de que os “Fantasiosos Nacionalistas, que andam por aí ilaqueando a boa fé dos incautos, não passam de agentes de credos patrocinados por Moscou, Pequim ou pela infeliz Cuba do truculento Fidel Castro”.

Por outro lado, os componentes da Frente desmentiam energicamente as acusações. Outra coisa que deixou os udenistas raivosos foi a ação social praticada pela Frente no início de 1962. Uma estiagem prolongada flagelava o povo pobre da zona da Caatinga, nesta região, no final de 1961 até fevereiro de 1962. O povo estava passando fome e a Frente tomou a iniciativa de socorrer estes flagelados, conseguindo, com os comerciantes, industriais e outras pessoas abastadas da cidade, gêneros alimentícios e dinheiro para levar aos atingidos pela seca.

Franklin Ferraz Neto, Juarez Hortélio e Raimundo Pinto, dentre outros, foram, por duas vezes, aos municípios de Anagé, Aracatu e povoado de Laje do Gavião, levar um caminhão de víveres, roupas e remédios aos afligidos pela seca, tendo sido socorridas 972 famílias.

Com essas atitudes a Frente ganhava a simpatia da população local e, ao mesmo tempo, a ira dos que se opunham à sua existência, gerando, entre os udenistas e perrepistas, acusações de serem tais práticas propaganda comunista.


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